Oficialmente começam hoje os censos da população e da habitação.
Por esta altura há quarenta anos, tinha eu saído da tropa há pouco tempo, casado, dinheiro certo só o que vinha do pequeno vencimento da companheira, então 3ª ou 2ª oficial dos SMAS, o restante vinha de actuações a fazer folgas no Casino Estoril, um ou outro trabalho que aparecesse na música, e nada mais. Entretanto, ajudava o meu pai na sua oficina. Eis que surgem os Censos da Habitação e da População de 1971, sabendo da minha disponibilidade e pensando que aquilo ia dar bom dinheiro, o Sr. Acácio Soares Faria, pessoa muito amiga do meu pai, e que me considerava como se fosse da família, ofereceu-me esta empreitada que aceitei de muito bom grado, com o meu amigo e companheiro da música Tó Gandara. Foi algo diferente de tudo o que até ali fizera, e enquanto o prometido emprego no Banco não chegava, lá fui bater de porta em porta, ajudar a preencher os papéis, porque era gritante o analfabetismo.
Duas imagens diferentes ficaram retidas para toda a minha vida:
- A primeira foi em Nafarros, uma família muito pobre e ao mesmo tempo desprovida de qualquer humanidade, tinha o pobre pai velho, a dormir numa capoeira rectangular. Por baixo estavam galinhas, em cima uma barraca feita rectangularmente, onde só cabia uma pessoa deitada, sem pé direito, 60cm de altura o maximo. O senhor Acácio, era o represente da Junta de Freguesia, não sendo Presidente nem Vice, existia a figura do Cabo Chefe, ele era essa figura, e, determinou que a partir daquele momento o velhote teria que dormir em casa da família.
- Outra mais alegre, embora a ignorância e o analfabetismo não tenham muita graça, a ingenuidade da coisa faz rir.
Eu preenchi centenas de impressos, não ganhava mais por isso, mas que fazer quando as pessoas coitadas não sabiam ler, e algumas que sabiam estavam-se a borrifar para os papéis (à portuguesa), num desses papéis uma familia residente na Vila Velha (a mãe era a única pessoa que estava na habitação), eu estava a fazer-lhe as perguntas, e quando cheguei à pergunta de quantos filhos tinha, ou teve?, resposta:
-Oito vivos e quatro avoltos!
Eu fiquei petrificado, primeiro não percebi logo o que ela queria dizer, depois o meu cerebro começou a trabalhar a 100 à hora, para ver o que era o significado daquilo, com um esforço para manter a compostura, lá lhe disse a palavra certa interrogando; - Quer dizer com isso abortos, certo? Isso, isso!...
Fiquei sempre fã deste trabalho, entendo que é um dever de cidadania, mas sei que os resultados infelizmente, pela maneira de ser do nosso povo, vão sair adulterados.
Os censos da população e habitação, fazem-se de 10 em 10 anos.
A vida é uma aprendizagem diária. Gosto de viver, mas não tenho medo de morrer! A música é o alimento da alma.
segunda-feira, 21 de março de 2011
sexta-feira, 18 de março de 2011
Amanhã é o Dia do Pai!
Na minha maneira de ver, trata-se de mais um dia para alegrar a carteira dos comerciantes. Quando era jovem adorava este dia porque era o dia do BAILE das CAMÉLIAS, e isso para os sintrenses do meu tempo, era a única coisa que contava.
Durante muito tempo só se comemorou o dia da Mãe, que em Portugal era a 8 de Dezembro, dia da Padroeira de Portugal, Nª Senhora da Conceição. Até essa data foi alterada.
Há o dia de tanta coisa, também porque não o dia do Pai?
Durante muito tempo só se comemorou o dia da Mãe, que em Portugal era a 8 de Dezembro, dia da Padroeira de Portugal, Nª Senhora da Conceição. Até essa data foi alterada.
Há o dia de tanta coisa, também porque não o dia do Pai?
Não quero deixar passar a data sem homenagear o meu pai, com quem só convivi 20 breves anos, porque quiz o destino que tivesse uma morte prematura aos sessenta e três anos. De igual modo não podia esquecer o meu sogro, um homem bom que foi para mim outro pai, com quem passei, mais de trinta anos de amizade,camaradagem e porque não dizê-lo também amor, como se fosse seu filho.
Aos dois Pais, Carlos e Francisco, as minhas homenagens pela passagem de mais este dia dos Pais.
FALLAS de VALÊNCIA
Viajar é dos melhores momentos que a vida nos proporciona.
Numa dessas viagens, comprada sem saber exactamente do que se tratava, sabíamos só que era uma grande festa, mas desconhecíamos o teor, e sobretudo que era uma festa onde os petardos e bichas (mescletas), o fogo de artifício, e as fogueiras fazem parte do tema, porque ainda há os NINOT's a concurso.
As Fallas também são chamadas de festas Josefinas, (Festas de São José) celebradas em honra do patrono dos carpinteiros.
Estão nesta altura do ano os Valencianos, em pleno gozo da sua grande festa anual, um deslumbramento.
Os valencianos são muito orgulhosos do seu dialecto, alguns só falam o valenciano recusando-se a falar castelhano. É um arrazoado semelhante ao catalão, talvez até pela situação geográfica, tem mais de catalão que de castelhano.
Numa dessas viagens, comprada sem saber exactamente do que se tratava, sabíamos só que era uma grande festa, mas desconhecíamos o teor, e sobretudo que era uma festa onde os petardos e bichas (mescletas), o fogo de artifício, e as fogueiras fazem parte do tema, porque ainda há os NINOT's a concurso.
As Fallas também são chamadas de festas Josefinas, (Festas de São José) celebradas em honra do patrono dos carpinteiros.
Estão nesta altura do ano os Valencianos, em pleno gozo da sua grande festa anual, um deslumbramento.
Os valencianos são muito orgulhosos do seu dialecto, alguns só falam o valenciano recusando-se a falar castelhano. É um arrazoado semelhante ao catalão, talvez até pela situação geográfica, tem mais de catalão que de castelhano.
Cartaz deste ano das Fallas
Um dos Ninot's a concurso
Uma Fallera a desfilar, com o traje regional.
Outra rua com o seu NINOT
Valência além de ser uma bonita cidade mediterrânica, com muito para ver, tem nesta altura do ano desfiles dos seus bairros, com as suas falleras (mulheres) trajadas a rigor, cada uma com um ramo de flores na mão para fazer o manto da Padroeira, que lá está no largo da Catedral, representada com uma armação em madeira gigantesta que vai ser vestida com as flores que as mulheres vão trazendo ao longo de mais de um dia de desfiles. Cada bairro leva a sua banda de música ou agrupamento de música tradicional.
Os largos e ruas estão engalanados com os seus NINOT's, grandes bonecos feitos artisticamente em madeira, esforovite, e outros materiais combustíveis, porque o seu destino é serem queimados na noite do dia de S. José (19 de Março) dando origem a grandes fogueiras no meio das ruas. No dia 20 de manhã Valência está pronta para trabalhar, com todas as ruas impecávelmente limpas, como nada se tivesse passado na noite anterior.
Um verdadeiro espéctáculo de luz, côr, música, alegria e sobretudo arte, demontrada das mais diversas maneiras. As corridas de toiros para os aficionados, é também um verdadeiro culto.terça-feira, 15 de março de 2011
AFINAL O GOVERNO OUVIU OS MANIFESTANTES!
Não pretendo enveredar neste meu espaço, por temas de carácter político, pretendo isso sim abordar mais a parte cultural, com temas despretenciosos, e de que eu goste.
Mas não podia deixar em claro, uma notícia que me chegou neste momento à minha caixa de correio.
Quando todos os portugueses são confrontados com o aumento do IVA na grande maioria dos bens de primeiríssima necessidade, vêm os "Governantes" aceder a uma reivindicação do Sector do Turismo, mais própriamente dos Campos de Golf, em baixar a taxa do IVA de 23%, em vigor desde Janeiro, para 6%. Alegação do sector; - podem os estrangeiros, não vir, ou ir embora por pagar uma taxa tão alta!
Um estrangeiro que venha jogar golf para Portugal, já beneficia de preços baixos relativamente aos seus países, em quase tudo, desde a dormida ao café, passando pelos preços por volta num campo de golf. Isso no fim se houver seriedade do Hoteleiro, o cliente nem dá por isso. O sector hoteleiro, é que normalmente inflaciona o preço, e são muito capazes de aumentar os preços por volta, na mesma, com a alegação do aumento de impostos.
Então e os músicos? Que continuam a pagar um imposto de "Luxo" injusto de 20%, mais 23% de IVA, sobre o preço dos instrumentos adquiridos. Imposto de luxo este, que vem ainda do tempo do Salazar, mas que ninguém tem a coragem de tirar. Os pobrezinhos do golf, coitados, se for preciso ainda se faz uma petição nacional para ajudar esta gente tão carenciada, para mais tratando-se de um artigo de primeira necessidade.
A notícia vem aqui
Mas não podia deixar em claro, uma notícia que me chegou neste momento à minha caixa de correio.
Quando todos os portugueses são confrontados com o aumento do IVA na grande maioria dos bens de primeiríssima necessidade, vêm os "Governantes" aceder a uma reivindicação do Sector do Turismo, mais própriamente dos Campos de Golf, em baixar a taxa do IVA de 23%, em vigor desde Janeiro, para 6%. Alegação do sector; - podem os estrangeiros, não vir, ou ir embora por pagar uma taxa tão alta!
Um estrangeiro que venha jogar golf para Portugal, já beneficia de preços baixos relativamente aos seus países, em quase tudo, desde a dormida ao café, passando pelos preços por volta num campo de golf. Isso no fim se houver seriedade do Hoteleiro, o cliente nem dá por isso. O sector hoteleiro, é que normalmente inflaciona o preço, e são muito capazes de aumentar os preços por volta, na mesma, com a alegação do aumento de impostos.
Então e os músicos? Que continuam a pagar um imposto de "Luxo" injusto de 20%, mais 23% de IVA, sobre o preço dos instrumentos adquiridos. Imposto de luxo este, que vem ainda do tempo do Salazar, mas que ninguém tem a coragem de tirar. Os pobrezinhos do golf, coitados, se for preciso ainda se faz uma petição nacional para ajudar esta gente tão carenciada, para mais tratando-se de um artigo de primeira necessidade.
A notícia vem aqui
Solidariedade com o JAPÃO
É justo lembrar, e, sermos solidários com um povo que sofreu mais um enorme golpe, que abala até o mais insensível dos humanos.
Povo disciplinado, trabalhador, e preparado para sismos, que lhes batem à porta a um ritmo por vezes diário, mas para uma brutalidade destas, não há preparação que resista.
Dizem os entendidos que nós devemos colocar as nossas barbas de molho, porque isto é ciclico e nós estamos desde 1755 em lista de espera.
Que os DEUSES, nos protejam porque se houver algo semelhante a esta desgraça, nós vamos morrer como moscas. Se no Japão foi assim e estão preparados, o que seria cá, onde nada foi feito como medida de precaução para estas previsíveis catástrofes.
Povo disciplinado, trabalhador, e preparado para sismos, que lhes batem à porta a um ritmo por vezes diário, mas para uma brutalidade destas, não há preparação que resista.
Dizem os entendidos que nós devemos colocar as nossas barbas de molho, porque isto é ciclico e nós estamos desde 1755 em lista de espera.
Que os DEUSES, nos protejam porque se houver algo semelhante a esta desgraça, nós vamos morrer como moscas. Se no Japão foi assim e estão preparados, o que seria cá, onde nada foi feito como medida de precaução para estas previsíveis catástrofes.
segunda-feira, 14 de março de 2011
UMA SENHORA ACTRIZ
Durante muitos anos a Revista à Portuguesa, foi o entretenimento popular de eleição.
O Parque Mayer era a nossa Broadway.
Os Teatros ABC, Variedades, e Maria Vitória, tinham sempre Revistas à Portuguesa ou Comédias, que duravam meses em cena, com duas sessões diárias, e ao domingo três, com a inclusão de uma matine. Uma estafa para os/as artistas, que tinham ali o seu ganha pão, mas tinham que lá deixar o couro e o cabelo para o ganhar. Imaginem estar todos os dias a fazer aquele trabalho, repetitivo, para fazer rir a assistência, por vezes doentes, cansados, e muitas vezes a trabalhar para pessoas cinzentas, que não os entendiam.
A actriz Ivone Silva, foi uma verdadeira profissional em todos os sentidos da palavra. Era tão obcecada pelo trabalho, e pelo teatro em particular, que deixou andar aquela doença maldita que a havia de matar. Dizia que não tinha tempo para ir às consultas, e aos tratamentos, porque não podia faltar ao Teatro.
Maria Ivone da Silva Nunes Viana, mais conhecida simplesmente por Ivone Silva, foi uma actriz portuguesa conhecida pelo seu trabalho humorístico na televisão e teatro de revista. Filha de José António da Silva, também actor, e de Ermelinda Nunes, nasceu a 24 de Abril de 1935 em Paio Mendes, aldeia situada no concelho de Ferreira do Zêzere, e veio a falecer em Lisboa a 20 de Novembro de 1987 de cancro da mama.
domingo, 13 de março de 2011
Hoje há sobremesa!
Com a devida vénia!
Por Marta Medeiros
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