sábado, 2 de abril de 2011

As Bandas Filarmónicas

Estão a rejuvenescer as escolas de música das filarmónicas, embora ainda não se note esse investimento em algumas bandas, porque para se fazer um músico, é preciso muita persistência e dedicação. Perdem-se muitos jovens. Um músico que queira evoluir, tem que estudar toda a vida como um médico, e praticar todos os dias como um desportista de alta competição, isto se quiser estar num nível elevado, porque para dar uns toques para uns amigos numa tertúlia, basta o jeitinho natural de cada executante.
Em Portugal, o investimento na cultura a todos os níveis, em particular na música, é só fachada, gastam-se milhões, fortunas, orçamentadas no Ministério e nas Autarquias, as verbas são gastas, mas não há planificação, e vão parar a outros lados que não propriamente à cultura musical. São números para a estatística. As crianças têm aulas de música no Secundário, mas há professores que não diferenciam uma colcheia de uma semi-colcheia, isto eu sei de fonte limpa.
Nas minhas passagens pelo You Tube em busca de música, fui descobrir um tema SPANISH FEVER, que a Banda da Sociedade Filarmónica dos Aliados – São Pedro de Sintra, também executa, mas aqui interpretado por uma Banda japonesa, com mais de cem elementos, jovens na sua grande maioria. Em Portugal não há projectos, não há música deste nível nestas idades, nem há onde se possa apreciar, o que existe de de bom a nível musical não se aprende na escola Oficial, ou é nas Filarmónicas, que com todas as suas dificuldades, vão dando escola de música aos jovens a titulo gratuito, ou então em escolas a pagar. Realmente se houvesse este género de música a passar na televisão, a entrar nas nossas casas, nem que fosse só uma vez por semana, dando preferência à qualidade, o gosto passava a existir, assim como é que se pode gostar de algo que quase ninguém conhece? Porque é que nos liceus não se fomentam a criação de Orquestras, ou Bandas?
Aqui, o que interessa é embrutecer o povo, com doses maciças de futebol e telenovelas. Cá em vez de se fomentar, acaba-se tudo por questões financeiras, das Orquestras ao Ballet, foi tudo abaixo. Até o Ballet Gulbenquian, que era pago pela Fundação, supunha-se não haver ali nunca faltas de dinheiro também acabou. Realmente este 25 de Abril não produziu efeito, como dizia o Ary dos Santos, “VAMOS FAZER um 25 de ABRIL NOVO”.
Aqui fica a antítese da cultura musical em Portugal, documentada em vídeo.

terça-feira, 29 de março de 2011

Nuvem radioactiva chega a Portugal

Pelos céus dos Açores já circulam partículas de gases radioactivos oriundas da central nuclear de Fukushima, Japão. A ‘nuvem radioactiva’ deve atingir Portugal continental nos próximos dias e evoluir para o resto da Europa e Médio Oriente.    "in correio da manhã"

Estava-se mesmo a ver que esta desgraça nos ia bater à porta. 

O Planeta está cada vez mais pequeno, face aos erros que o "predador-mor" tem cometido. Já aqui lastimei, e solicitei a quem por ventura passasse por aqui, solidariedade, e, respeito pelo sofrimento do povo japonês. Povo organizado, e dedicado ao seu país, eventualmente, como nenhum outro.

Quando todo o Universo, apresenta sinais de cansaço, face a tantas afrontas do ponto de vista ambiental, alterações climáticas, desertificação, chuvas ácidas, etc..., esta desgraça que perdura na Central nuclear de Fukushima, trouxe de novo para a ribalta a questão da energia nuclear, ressaltando à vista desarmada que quem está livre destas centrais, está muito mais seguro.

Em Portugal não há disto  (por vezes é bom não ser muito evoluído), no entanto há um grupo poderoso de magnatas, com Patrick Monteiro de Barros à cabeça, que tem exercido uma pressão imensa sobre o Governo, para a instalação dessa energia no nosso país. Até hoje temos conseguido resistir a essa praga, mas o dinheiro move montanhas. Vamos ver por quanto tempo a governação vai aguentar. Passados poucos dias do terramoto japonês, um debate na nossa televisão com o senhor supra citado, e outro a apoiar essa fonte energética, e os opositores. Em face de tanta evidência, como é que ainda há descaramento para defender o indefensável?








domingo, 27 de março de 2011

CHARLIE "THE BIRD" PARKER

Charles Christopher Parker Jr. nasceu no dia 29 de Agosto de 1920, na cidade de Kansas City. Foi apelidado de "Bird" e "Yardbird" porque além de gostar do animal tinha a tendência de viver livre como os pássaros.
Charlie Parker faleceu em Nova Iorque, em 1955,aos 35 anos de idade, com centenas de músicas gravadas em seu estilo único, nas mais diversas formações instrumentais. Ainda hoje, tantos anos depois de sua morte, Charlie Christopher Bird Parker Jr. é considerado o maior improvisador de Jazz de todos os tempos e um dos mais importantes da historia deste estilo musical.
Consumido pelo álcool e pelas drogas, Parker teve uma existência breve e trágica, tentou suicidar-se duas vezes, esteve internado por um periodo largo antes de falecer aos 34 anos. Os males que causou ao seu corpo, pela vida desregrada que levou, eram tão grandes que o médico-legista atribuiu ao morto a idade de 65 anos.

sábado, 26 de março de 2011

Música portuguesa

Falar de gostos é sempre difícil, dizem que não se dicutem.
Respeitando toda a gente, sempre achei que não existe neste campo,  da cultura musical (como em quase tudo nesta terra), uma política de dar a conhecer às pessoas o que é de facto enriquecedor, a boa música, quem é de facto um artista a sério. Não o que se vê é um povo burro de todo, que grande parte só quer ouvir música brejeira, tipo "Quem é o pai da criança", e outras pimbalhadas, porque é disso que lhe impingem, e como pensar, dá muito trabalho, não vale a pena parar para ouvir alguma coisa interessante, isso  é coisa para intlectuais. Se na governação estão uns parolos, ao povão há que lhes dar em doses macissas, música pimba, porque quanto menos cultos e evoluídos melhor.
Nos programas televisivos da manhã, e aqueles depois da hora de almoço,  não divulgam trabalhos de gente  capaz, só se vêm desfilar artistas de meia tigela. É uma realidade que não conseguem levantar da cama um artista com nome, para ir a um programa de tipo "Encher balões", a culpa é dos canais, porque nunca apostaram na qualidade. Tivesse havido sempre um critério de qualidade e certamente eles lá estariam com prazer.
Tenho muita gente de quem gosto, no panorama musical português, com Rui Veloso à cabeça, grande músico, acho-o o anti-vedeta, gosto dele porque é bom em tudo, canta bem, toca como poucos, e não passa por cima de ninguém, impôs-se porque é o melhor só isso, dos meus contemporâneos, gosto do Paulo de Carvalho, cujo trajecto é discutível, mas a boa voz e a grande qualidade essa está lá toda, Dulce Pontes, chegou onde só os priviligiados chegam, mas parece que cá não tem espaço, até à Sara Tavares, um protento, gosto da Anabela noutro estilo, mas com muita qualidade e bom gosto. Passando para o fado que noutros tempos a minha geração não ligava nada, era uma música de bairros de Lisboa, e para turista ver, teve felizmente uma grande evolução, tanto nos músicos como nos fadistas, gosto da Marisa e da Ana Moura, chego a ficar arrepiado, eu que nem podia ouvir a palavra fado, quanto mais ouvir uma música inteira.
Há outros que aprecio, e nunca me esquecerei dos antigos que fazem parte da história da música portuguesa, mas aqui ninguém quer saber da história. Os bons actores e cantores portugueses já falecidos, ou que já estão em idade avançada devem ter a nossa admiração e respeito. Simone de Oliveira, Luís Piçarra, Tony de Matos, Rui de Mascarenhas, estes que conheci ouvi ao vivo, admirei e sei alguma coisinha, qualquer dia ninguém sabe nada nem destes nem de outros, porque talvez esteja por escrever a história da música portuguesa, para ficar para a posteridade, isso não deve dar dinheiro às editoras, e para isso não há dinheiros públicos, só há dinheiro para pagar ao Armando Vara, que de cargo em cargo, o indiciado do caso "Face oculta" vai enchendo o bolso, desta feita mais de meio milhão de Euros para ser despedido do BCP, onde está a vergonha na cara?

segunda-feira, 21 de março de 2011

CENSOS 40 Anos depois

Oficialmente começam hoje os censos da população e da habitação.
Por esta altura há quarenta anos, tinha eu saído da tropa há pouco tempo, casado, dinheiro certo só o que vinha do pequeno vencimento da companheira, então 3ª ou 2ª oficial dos SMAS, o restante vinha de actuações a fazer folgas no Casino Estoril, um ou outro trabalho que aparecesse na música, e nada mais. Entretanto, ajudava o meu pai na sua oficina. Eis que surgem os Censos da Habitação e da População de 1971, sabendo da minha disponibilidade e pensando que aquilo ia dar bom dinheiro, o Sr. Acácio Soares Faria, pessoa muito amiga do meu pai, e que me considerava como se fosse da família, ofereceu-me esta empreitada que aceitei de muito bom grado, com o meu amigo e companheiro da música Tó Gandara. Foi algo diferente de tudo o que até ali fizera, e enquanto o prometido emprego no Banco não chegava, lá fui bater de porta em porta, ajudar a preencher os papéis, porque era gritante o analfabetismo.
Duas imagens diferentes ficaram retidas para toda a minha vida:
- A primeira foi em Nafarros, uma família muito pobre e ao mesmo tempo desprovida de qualquer humanidade, tinha o pobre pai velho, a dormir numa capoeira rectangular.  Por baixo estavam galinhas, em cima uma barraca feita rectangularmente, onde só cabia uma pessoa deitada, sem pé direito, 60cm de altura o maximo. O senhor Acácio, era o represente da Junta de Freguesia, não sendo Presidente nem Vice, existia a figura do Cabo Chefe, ele era essa figura, e, determinou que a partir daquele momento o velhote teria que dormir em casa da família.

- Outra mais alegre, embora a ignorância e o analfabetismo não tenham muita graça, a ingenuidade da coisa faz rir.
Eu preenchi centenas de impressos, não ganhava mais por isso, mas que fazer quando as pessoas coitadas não sabiam ler, e algumas que sabiam estavam-se a borrifar para os papéis (à portuguesa), num desses papéis uma familia residente na Vila Velha (a mãe era a única pessoa que estava na habitação), eu estava a fazer-lhe as perguntas, e quando cheguei à pergunta de quantos filhos tinha, ou teve?, resposta:
-Oito vivos e quatro avoltos!
Eu fiquei petrificado, primeiro não percebi logo o que ela queria dizer, depois o meu cerebro começou a trabalhar a 100 à hora, para ver o que era o significado daquilo, com um esforço para manter a compostura, lá lhe disse a palavra certa interrogando; - Quer dizer com isso abortos, certo? Isso, isso!...
Fiquei sempre fã deste trabalho, entendo que é um dever de cidadania, mas sei que os resultados infelizmente, pela maneira de ser do nosso povo, vão sair adulterados.
Os censos da população e habitação, fazem-se de 10 em 10 anos.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Amanhã é o Dia do Pai!

Na minha maneira de ver, trata-se de mais um dia para alegrar a carteira dos comerciantes. Quando era  jovem adorava este dia porque era o dia do BAILE das CAMÉLIAS, e isso para os sintrenses do meu tempo, era a única coisa que contava.
Durante muito tempo só se comemorou o dia da Mãe, que em Portugal era a 8 de Dezembro, dia da Padroeira de Portugal, Nª Senhora da Conceição.  Até essa data foi alterada.
Há o dia de tanta coisa, também porque não o dia do Pai?

Não quero deixar passar a data sem homenagear o meu pai, com quem só convivi 20 breves anos, porque quiz o destino que tivesse uma morte prematura aos sessenta e três anos. De igual modo não podia esquecer o meu sogro, um homem bom que foi para mim outro pai, com quem passei, mais de trinta anos de amizade,camaradagem e porque não dizê-lo também amor, como se fosse seu filho.
Aos dois Pais, Carlos e Francisco, as minhas homenagens pela passagem de mais este dia dos Pais.

FALLAS de VALÊNCIA

Viajar é dos melhores momentos que a vida nos proporciona.
Numa dessas viagens, comprada sem saber exactamente do que se tratava, sabíamos só que era uma grande festa, mas desconhecíamos o teor, e sobretudo que era uma festa onde os petardos e bichas (mescletas), o fogo de artifício, e as fogueiras fazem parte  do tema, porque ainda há os NINOT's a concurso.
As Fallas também são chamadas de festas Josefinas, (Festas de São José) celebradas em honra do patrono dos carpinteiros.
Estão nesta altura do ano os Valencianos, em pleno gozo da sua grande festa anual, um deslumbramento.
Os valencianos são muito orgulhosos do seu dialecto, alguns só falam o valenciano recusando-se a falar castelhano. É um arrazoado semelhante ao catalão, talvez até pela situação geográfica, tem mais de catalão que de castelhano.
Cartaz deste ano das Fallas
Um dos Ninot's a concurso

Uma Fallera a desfilar, com o traje regional.
                         Outra rua com o seu NINOT
 
Valência além de ser uma bonita cidade mediterrânica, com muito para ver, tem nesta altura do ano desfiles dos seus bairros, com as suas falleras (mulheres) trajadas a rigor, cada uma com um ramo de flores na mão para fazer o manto da Padroeira, que lá está no largo da Catedral, representada com uma armação em madeira gigantesta que vai ser vestida com as flores que as mulheres vão trazendo ao longo de mais de um dia de desfiles. Cada bairro leva a sua banda de música ou agrupamento de música tradicional.
Os largos e ruas estão engalanados com os seus NINOT's, grandes bonecos feitos artisticamente em madeira, esforovite, e outros materiais combustíveis, porque o seu destino é serem queimados na noite do dia de S. José (19 de Março) dando origem a grandes fogueiras no meio das ruas. No dia 20 de manhã Valência está pronta para trabalhar, com todas as ruas impecávelmente limpas, como nada se tivesse passado na noite anterior.
Um verdadeiro espéctáculo de luz, côr, música, alegria e sobretudo arte, demontrada das mais diversas maneiras. As corridas de toiros para os aficionados, é também um verdadeiro culto.