segunda-feira, 16 de maio de 2011

DIAMANTES NEGROS/OS ATLAS - O Reencontro 46 anos depois.

aqui falámos neste evento, e voltamos a falar no assunto para que a presença dos nossos amigos seja um facto.
Contamos convosco.
No filme o tema Magic Women, é interpretado pelos DIAMANTES NEGROS, actuação ao vivo na Terrugem/Sintra em Março último.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

CLARA FERREIRA ALVES - Este é o maior fracasso da democracia portuguesa, parte II

Continuação

E os novos códigos Penal e de Processo Penal em nada vão mudar este estado de coisas. Apesar dos jornais e das televisões, dos blogs, dos computadores e da Internet, apesar de termos acesso em tempo real ao maior número de notícias de sempre, continuamos sem saber nada, e esperando nunca vir a saber com toda a naturalidade.

Do caso Portucale à Operação Furacão, da compra dos submarinos às escutas ao primeiro-ministro, do caso da Universidade Independente ao caso da Universidade Moderna, do Futebol Clube do Porto ao Sport Lisboa Benfica, da corrupção dos árbitros à corrupção dos autarcas, de Fátima Felgueiras a Isaltino Morais, da Braga Parques ao grande empresário Bibi, das queixas tardias de Catalina Pestana às de João Cravinho, há por aí alguém que acredite que algum destes secretos arquivos e seus possíveis e alegados, muitos alegados crimes, acabem por ser investigados, julgados e devidamente punidos?

Vale e Azevedo pagou por todos?
Quem se lembra do miúdo electrocutado no semáforo e do outro afogado num parque aquático?
Quem se lembra das crianças assassinadas na Madeira e do mistério dos crimes imputados ao padre Frederico?

Quem se lembra que um dos raros condenados em Portugal, o mesmo padre Frederico, acabou a passear no Calçadão de Copacabana?

Quem se lembra do autarca alentejano queimado no seu carro e cuja cabeça foi roubada do Instituto de Medicina Legal?

Em todos estes casos, e muitos outros, menos falados e tão sombrios e enrodilhados como estes, a verdade a que tivemos direito foi nenhuma.

No caso McCann, cujos desenvolvimentos vão do escabroso ao incrível, alguém acredita que se venha a descobrir o corpo da criança ou a condenar alguém?


As últimas notícias dizem que Gerry McCann não seria pai biológico da criança, contribuindo para a confusão desta investigação em que a Polícia espalha rumores e indícios que não têm substância.
E a miúda desaparecida em Figueira? O que lhe aconteceu? E todas as crianças desaparecida antes delas, quem as procurou?

E o processo do Parque, onde tantos clientes buscavam prostitutos, alguns menores, onde tanta gente "importante" estava envolvida, o que aconteceu? Alguns até arranjaram cargos em organismos da UE.

Arranjou-se um bode expiatório, foi o que aconteceu.
E as famosas fotografias de Teresa Costa Macedo? Aquelas em que ela reconheceu imensa gente "importante", jogadores de futebol, milionários, políticos, onde estão? Foram destruídas? Quem as destruiu e porquê?

E os crimes de evasão fiscal de Artur Albarran mais os negócios escuros do grupo Carlyle do senhor Carlucci em Portugal, onde é que isso pára?
O mesmo grupo Carlyle onde labora o ex-ministro Martins da Cruz, apeado por causa de um pequeno crime sem importância, o da cunha para a sua filha.
E aquele médico do Hospital de Santa Maria, suspeito de ter assassinado doentes por negligência? Exerce medicina?

E os que sobram e todos os dias vão praticando os seus crimes de colarinho branco sabendo que a justiça portuguesa não é apenas cega, é surda, muda, coxa e marreca.

Passado o prazo da intriga e do sensacionalismo, todos estes casos são arquivados nas gavetas das nossas consciências e condenados ao esquecimento.
Ninguém quer saber a verdade.

Ou, pelo menos, tentar saber a verdade.
Nunca saberemos a verdade sobre o caso Casa Pia, nem saberemos quem eram as redes e os "senhores importantes" que abusaram, abusam e abusarão de crianças em Portugal, sejam rapazes ou raparigas, visto que os abusos sobre meninas ficaram sempre na sombra.

Existe em Portugal uma camada subterrânea de segredos e injustiças, de protecções e lavagens, de corporações e famílias, de eminências e reputações, de dinheiros e negociações que impede a escavação da verdade.


Este é o maior fracasso da democracia portuguesa



Clara Ferreira Alves - "Expresso"

terça-feira, 3 de maio de 2011

CLARA FERREIRA ALVES - Este é o maior fracasso da democracia portuguesa

Quando pensei neste espaço, a política não estava nos meus horizontes, deitar conversa fora, e banalidades também não, até o posso já ter feito, então sou eu que não sei fazer melhor. A minha intenção era mesmo falar de música, dos DIAMANTES NEGROS, e, coisas que tivessem a ver comigo, mas em face da doença que assola o nosso país, indiferente a este texto não vou ficar.
Devido à sua extensão, vai por partes. 
Texto publicado no Expresso, e a circular na Internet.  

A Ditadura Democrática Portuguesa elimina os que pensam e promove os Burros.( peço desculpa ao animal, de que tenho muito carinho e admiração)
 
Este é o maior fracasso da democracia portuguesa
Não admira que num país assim emerjam cavalgaduras, que chegam ao topo, dizendo ter formação, que nunca adquiriram, (Olá! camaradas Sócrates...Olá! Armando Vara...), que usem dinheiros públicos (fortunas escandalosas) para se promoverem pessoalmente face a um público acrítico, burro e embrutecido.

Este é um país em que a Câmara Municipal de Lisboa, em governação socialista, distribui casas de RENDA ECONÓMICA - mas não de construção económica - aos seus altos funcionários e jornalistas, em que estes últimos, em atitude de gratidão, passaram a esconder as verdadeiras notícias e passaram a "prostituir-se" na sua dignidade profissional, a troco de participar nos roubos de dinheiros públicos, destinados a gente carenciada, mas mais honesta que estes bandalhos.
Em dado momento a actividade do jornalismo constituiu-se como O VERDADEIRO PODER. Só pela sua acção se sabia a verdade sobre os podres forjados pelos políticos e pelo poder judicial. Agora continua a ser o VERDADEIRO PODER mas senta-se à mesa dos corruptos e com eles partilha os despojos, rapando os ossos ao esqueleto deste povo burro e embrutecido.

Para garantir que vai continuar burro o grande "cavallia" (que em português significa cavalgadura) desferiu o golpe de morte ao ensino público e coroou a acção com a criação das Novas Oportunidades.
Gente assim mal formada vai aceitar tudo, e o país será o pátio de recreio dos mafiosos.

A justiça portuguesa não é apenas cega. É surda, muda, coxa e marreca.
Portugal tem um défice de responsabilidade civil, criminal e moral muito maior do que o seu défice financeiro, e nenhum português se preocupa com isso, apesar de pagar os custos da morosidade, do secretismo, do encobrimento, do compadrio e da corrupção.

Os portugueses, na sua infinita e pacata desordem existencial, acham tudo "normal" e encolhem os ombros.

Por uma vez gostava que em Portugal alguma coisa tivesse um fim, ponto final, assunto arrumado.
Não se fala mais nisso. Vivemos no país mais inconclusivo do mundo, em permanente agitação sobre tudo e sem concluir nada.

Desde os Templários e as obras de Santa Engrácia, que se sabe que, nada acaba em Portugal, nada é levado às últimas consequências, nada é definitivo e tudo é improvisado, temporário, desenrascado.

Da morte de Francisco Sá Carneiro e do eterno mistério que a rodeia, foi crime, não foi crime, ao desaparecimento de Madeleine McCann ou ao caso Casa Pia, sabemos de antemão que nunca saberemos o fim destas histórias, nem o que verdadeiramente se passou, nem quem são os criminosos ou quantos crimes houve.

Tudo a que temos direito são informações caídas a conta-gotas, pedaços de enigma, peças do quebra-cabeças. E habituamo-nos a prescindir de apurar a verdade porque intimamente achamos que não saber o final da história é uma coisa normal em Portugal, e que este é um país onde as coisas importantes são "abafadas", como se vivêssemos ainda em ditadura.


continua!


domingo, 1 de maio de 2011

RECORDAÇÕES

A PONTE DO RIO KWAI, filme estreado em 2 de Outubro de 1957, era eu uma criancinha. Do filme só conhecia a música, porque não tinha idade para ir ao cinema, só vi o filme mais tarde. A música passava na rádio, e, em minha casa passava-se o dia com o rádio ligado, destacando-se a Marcha Coronel Bogey, que mais tarde veio a fazer parte do reportório da Banda da Sociedade União Sintrense, então regida pelo Maestro Álvaro de Sousa, ainda tive a felicidade de a tocar com o meu pai na mesma Banda.
O governo desse tempo, devia ter algum protocolo com o governo Inglês, baseado na velha aliança, e, como ainda não tinha rebentado a Guerra Colonial, nós éramos colonizadores os Ingleses também, portanto ficava tudo em família. Então vinha cá periodicamente (digo periodicamente porque eu vi pelo menos duas vezes em anos diferentes), o TATOO MILITAR INGLÊS, uma maravilha, Bandas, carroceis a cavalo e motorizado, exibições de cães, eram duas horas muito bem passadas. O cenário também não podia ser melhor, o Estádio do Restelo, que em termos de estádio naquele tempo era a sala de visitas de Portugal.
 
A banda sonora do filme a Ponte do Rio Kwai, foi escrita pelo compositor inglês, Sir Malcolm Henry Arnald.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

DIAMANTES NEGROS - O PASSADO e o PRESENTE

Os DIAMANTES NEGROS, passados 47 anos da sua primeira actuação, continuam activos, com vivacidade, vontade de fazer coisas, e bastante solicitados. Hoje estivemos a filmar para um documentário, realizado por um jovem, o que nos sensibilizou, porque este não ficou à espera para se fazer à vida. Pretende saber a história da música dos anos sessenta, e para isso tem recolhido vários depoiementos de músicos/artistas singulares, e grupos dessa época.
A filmagem decorreu na casa histórica do Vitor Ricardo nosso Manager de então, na Vila-Velha em pleno Centro Histórico, 2 andares acima da ex-papelaria Camélia, com o Palácio Nacional como pano de fundo, onde muitas vezes debatemos os nossos problemas, até á resolução final, passando por muita discussão acalorada. Hoje foi tudo muito mais calmo, risonho e apetecível. Claro que culminou num almoço bem humurado, e bem regado que se prolongou para lá das 16horas.
Quando digo casa histórica do Vitor Ricardo, digo-o porque o registo do passado dos DIAMANTES, estava lá bem presente num cartaz de 1967, comemorativo do nosso 3º Aniversário. Lembrava-me bem dele porque foi o último em que participei activamente como músico. O elenco foi escolhido pelo Senhor Max, porque o seu filho Henrique era parte integrante da banda, e nós pedimos que nos ajudasse na festa do nosso aniversário, ao que ele acedeu com toda a sua boa vontade, amizade e simpatia. Artistas como Gina Maria, Max, Raúl Solnado, Simone de Oliveira, e Tony de Matos, compuseram um cartaz de se lhe tirar o chapéu, e aqui todos disseram presente, participando alguns gratuitamente, outros com cachet's simbólicos.
Nesse tempo os artistas, traziam as suas partituras e eram acompanhados por um pianista, no caso presente o Maestro José Mesquita da ex-Emissora Nacional, comigo à bateria.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

OS DIAMANTES e a SUA HISTÓRIA

Ano de 1965, no final desse ano os DIAMANTES NEGROS, estavam contratados para fazer parte do elenco que iria fazer a animação do Cruzeiro à Madeira e Canárias a bordo do Paquete Santa Maria, Cruzeiro esse organizado pela Agência de Viagens Star, onde trabalhava como responsável entre outras coisas, pela animação, João Maria Tudela, hoje falecido no Hospital de Cascais, com 81 anos. Foi uma pessoa impecável connosco, pagou-nos antecipadamente de molde a termos dinheiro para gastar durante a viagem.
Os Diamantes faziam dois anos de existência em 25 de Janeiro de 1966, e, convidámos todo o elenco do Cruzeiro para ir a Sintra actuar nesse evento (de borla) incluindo ele. Todos aceitaram menos o Maestro Jorge Costa Pinto, que indicou o Maestro José Mesquita, da ex-Emissora Nacional. Tudela só não actuou porque houve umas pessoas que o maltrataram verbalmente, quando ele entrou na colectividade, e se dirigia  ao palco, disse-me logo que não cantava, acabava ali a sua prestação. E não cantou.
Descanse  em paz.
Kanimanbo!

OS MÚSICOS E A MENDICIDADE

Já lá vão uns anos, numa viagem que fiz á Holanda, fiquei deliciado a ouvir cinco excelentes músicos russos, que estavam a tocar em Amesterdão junto ao edificio da Ópera desta cidade. Tocavam espectacularmente, tudo instrumentos de sopro, o que para mim ainda me fascinou mais, dadas as minhas raízes musicais. Para mim tudo aquilo me pareceu normal, as pessoas passavam davam dinheiro, uma senhora ofereceu-lhes um ramo de flores que acabara de comprar, como numa estreia, ou um concerto de uma diva, eles não tinham aspecto de mendigos, e tocavam como deuses.
Agora vamos entrar na nossa realidade, Portugal. O nosso meio artístico, e sobretudo a nossa maneira de encarar aqueles que não tendo trabalho como músicos nos locais habituais, são forçados a virem para a rua, e têm alguns um aspecto muito pobre.  Quem passa nem se digna olhar para eles, quanto mais ouvir alguma coisa daquilo que eles tocam, sobretudo os portugueses ficam indiferentes, não ouvem, não param, não dão nada nem um cêntimo.
Hoje de manhã num pequeno passeio matinal aqui em Vila Real S. António, na artéria de maior movimento, há sempre animação de rua, estátuas, músicos, e na Praça Marquês de Pombal, normalmente estão músicos andinos, com as suas flautas, tocam parece música celestial. Nestes dias de maior movimentação vêm sempre músicos locais, em duos e trios, e  vê-se pela "tarimba" que têm, e pelo reportório, que são pessoas que ficaram sem os seus empregos na indústia hoteleira, que deu trabalho a centenas de músicos, alguns deixaram as suas terras para virem para cá, porque aqui é que havia trabalho. Havia, mas já não há!
Os hotéis que antes tinham uma banda com quatro ou cinco elementos, hoje ou não tem ninguém, ou têm lá um entretainer, que com música assistida tipo karaoque, distrai os clientes, que em face do que vêm também normalmente não ligam ao pobre do músico que a troco de uns euros (poucos), faz o que pode.  A crise tudo varreu, embora na música ela já esteja instalada há mais de dez anos.