domingo, 9 de dezembro de 2012

Jazz para todos.

É mais fácil encontrar um mediano músico podre de rico, por andar uma vida inteira a vender música popularucha, que um músico de Jazz cheio de técnica, conhecedor da arte de interpretar, ler, dirigir e até ensinar música. Mas é assim em quase tudo na vida, mais vale cair em graça...
Os grandes icones do jazz, conseguiram chegar à ribalta mas nunca a serem multimilionários, hoje qualquer um destes miúdos, feitos de encomenda para serem vedetas descartáveis, já ganharam mais fama e dinheiro que quase todos os outros juntos ao longo de uma carreira de décadas. O pior é que geralmente não sabem lidar nem com o sucesso nem com o dinheiro, e acabam mal.
Mas o que me motivou a escrever este post, foi o desafio que me despertou a minha amiga Graça Sampaio, que não gosta muito de jazz, ou não é a sua música de eleição.

 
Vou aqui colocar dois temas clássicos, que espero sejam do seu agrado.
O primeiro tema é uma interpretação de Misthy pela enorme Aretha Franklin.
O segundo tema foi inspirado no outono, está bem para a época, e é interpretada por:
- Chet Baker (trompete), Paul Desmond( saxo alto), Hubert Laws (flauta), Bob James (teclado), Ron Carter (contrabaixo)  e Steve Gadd (batería). Direção de Chet Baker.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Morreu Dave Brubeck




 
Morreu um homem que foi dos mais ilustres pianistas de Jazz do século XX.
David "Dave" Warren Brubeck ( 6 de dezembro de 1920 - 5 de dezembro de 2012).
Nome artístico Dave Brubeck
Género - Jazz, Cool Jazz.
Instrumento - Piano
Pianista, compositor, Diretor de Orquestra.

 
Sou fã incondicional deste senhor há muitos anos, tenho muita da sua obra. Obras como TAKE FIVE, ou BLUE RONDO A LA TURK, fazem as minhas delícias.
Um criador nato, com curso universitário de música, tinha horror a partituras, lia mal as mesmas, no entanto a sua genialidade fez dele um músico que passava ao lado dos papéis. Diplomado pela sua Universidade, com o compromisso de nunca dar aulas, devido a esse detalhe, que ele superava com o seu génio, o seu ouvido, e a sua arte.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

As pensões de reforma dos bancários.

Quando entrei para a banca, no tempo em que os bancos eram instituições muito credíveis, em que os clientes eram tratados a pão-de-ló, que cada cliente era um amigo, e, vinha ao banco ter connosco, tendo da nossa parte o melhor dos atendimentos, alcançando geralmente o retorno aos seus anseios. Nesse tempo, no início dos anos 70, destacava-se um dirigente sindical de seu nome Daniel Cabrita, que lutou contra a ditadura e o patronato com as armas possíveis, pagando algumas vezes com a reclusão.
Foi nesses tempos que os bancários lutaram por conseguir uma assistência social, paga à parte e que viria a ter a designação de SAMS, Servico de Assistência Médica Social, as Clínicas espalhadas por todo o país, fruto dos nossos descontos, mais tarde o Hospital, igualmente por nós descontado. Tudo isso hoje está posto em causa, tendo os sucessivos governos vindo a deitar a mão àquilo que lhes não pertencia, apadrinhados sobretudo por direções sindicais bancárias, afetas aos partidos que nos últimos anos têm estado no poder.
Quando tudo eram rosas, os empregados eram todos novos, soube bem ao patronato, governar-se com os fundos de pensões dos empregados, uns bons milhões, que lhes dava para gerir e aplicar em investimentos que durante anos lhes foram aumentando por muitas vezes o capital investido.
Só que vieram os novos gestores, ou vieram as novas idéias que, que deram cabo da cabeça dos gestores, foi tudo muito rápido. As más influências dos produtos financeiros "tóxicos" americanos, invadiram o mundo, nós não escapámos.
Eu reformei-me em 2003, já há muito se falava que os patrões estavam doidinhos para se verem livres das pensões de reforma, e quem estava a entrar de novo já não ia descontar para o Fundo de Pensões, ia sim para a Segurança Social.
Para o Estado aqueles milhões do Fundo de Pensões da Banca, era uma tentação, toca de ir lá fazer o frete aos banqueiros!
E agora?
Os meios de comunicação andam por aí a fazer eco de que a Segurança Social não pode pagar as pensões dos bancários.
Não há seriedade nenhuma, lança-se a atoarda para o ar, coitada da Segurança Social, pode falir só para pagar as pensões aos chulos dos bancários!...
Mas o que é isto?
Quem mandou estes nabos destes governantes, irem buscar o dinheiro do Fundo de Pensões dos Bancários, só porque estava ali à mão de semear, para cobrir o deficite?
Deixassem-no estar onde estava, na mão dos bancos, que era uma responsabilidade dos mesmos pagar aos seus reformados, sem qualquer encargo público, tirando ainda daí o valor dos impostos.
Foram roubar o nosso dinheiro, agora são responsáveis pelas nossas reformas, e já estamos (isso ninguém fala), na lista dos que vão ficar sem subsídios, que para nós sempre foram 13º e 14º mês, contratualmente obrigatórios.
Estou apreensivo, porque não reconheço nesta gente o dever da responsabilidade, e de honrar os seus compromissos, nem governantes nem patrões.
Vamos ver a volta que isto vai levar.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Portugal visto pelo Dr. António Lobo Antunes.

Não vou escrever quase nada para não estragar esta prosa divinal, vai na integra!
Soberbo!

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Agora sol na rua a fim de me melhorar a disposição, me reconciliar com a vida.

Passa uma senhora de saco de compras: não estamos assim tão mal, ainda
compramos coisas, que injusto tanta queixa, tanto lamento.

Isto é internacional, meu caro, internacional e nós, estúpidos,
culpamos logo os governos.

Quem nos dá este solzinho, quem é? E de graça. Eles a trabalharem para
nós, a trabalharem, a trabalharem e a gente, mal agradecidos,
protestamos.

Deixam de ser ministros e a sua vida um horror, suportado em estóico
silêncio. Veja-se, por exemplo, o senhor Mexia, o senhor Dias
Loureiro, o senhor Jorge Coelho, coitados. Não há um único que não
esteja na franja da miséria. Um único. Mais aqueles rapazes generosos,
que, não sendo ministros, deram o litro pelo País e só por orgulho não
estendem a mão à caridade.

O senhor Rui Pedro Soares, os senhores Penedos pai e filho, que isto
da bondade as vezes é hereditário, dúzias deles.

Tenham o sentido da realidade, portugueses, sejam gratos, sejam
honestos, reconheçam o que eles sofreram, o que sofrem. Uns
sacrificados, uns Cristos, que pecado feio, a ingratidão.

O senhor Vale e Azevedo, outro santo, bem o exprimiu em Londres. O
senhor Carlos Cruz, outro santo, bem o explicou em livros. E nós, por
pura maldade, teimamos em não entender. Claro que há povos ainda
piores do que o nosso: os islandeses, por exemplo, que se atrevem a
meter os beneméritos em tribunal.
Pelo menos nesse ponto, vá lá, sobra-nos um resto de humanidade, de respeito.

Um pozinho de consideração por almas eleitas, que Deus acolherá
decerto, com especial ternura, na amplidão imensa do Seu seio. Já o
estou a ver:
- Senta-te aqui ao meu lado ó Loureiro
- Senta-te aqui ao meu lado ó Duarte Lima
- Senta-te aqui ao meu lado ó Azevedo

que é o mínimo que se pode fazer por esses Padres Américos, pela nossa
interminável lista de bem-aventurados, banqueiros, coitadinhos,
gestores que o céu lhes dê saúde e boa sorte e
demais penitentes de coração puro, espíritos de eleição, seguidores
escrupulosos do Evangelho. E com a bandeirinha nacional na lapela, os
patriotas, e com a arraia miúda no coração. E melhoram-nos
obrigando-nos a sacrifícios purificadores, aproximando-nos dos
banquetes de bem-aventuranças da Eternidade.


As empresas fecham, os desempregados aumentam, os impostos crescem,
penhoram casas, automóveis, o ar que respiramos e a maltosa incapaz de
enxergar a capacidade purificadora destas medidas. Reformas ridículas,
ordenados mínimos irrisórios, subsídios de cacaracá? Talvez. Mas
passaremos semdificuldade o buraco da agulha enquanto os Loureiros todos abdicam,
por amor ao próximo, de uma Eternidade feliz. A transcendência deste
acto dá-me vontade de ajoelhar à sua frente. Dá-me vontade? Ajoelho à
sua frente indigno de lhes desapertar as correias dos sapatos.
Vale e Azevedo para os Jerónimos, já!
Loureiro para o Panteão já!
Jorge Coelho para o Mosteiro de Alcobaça, já!
Sócrates para a Torre de Belém, já! A Torre de Belém não, que é tão
feia. Para a Batalha.


Fora com o Soldado Desconhecido, o Gama, o Herculano, as criaturas de
pacotilha com que os livros de História nos enganaram.
Que o Dia de Camões passe a chamar-se Dia de Armando Vara. Haja
sentido das proporções, haja espírito de medida, haja respeito.
Estátuas equestres para todos, veneração nacional. Esta mania tacanha
de perseguir o senhor Oliveira e Costa: libertem-no. Esta pouca
vergonha contra os poucos que estão presos, os quase nenhuns que estão
presos como provou o senhor Vale e Azevedo, como provou o senhor
Carlos Cruz, hedionda perseguição pessoal com fins inconfessáveis.

Admitam-no. E voltem a pôr o senhor Dias Loureiro no
Conselho de Estado, de onde o obrigaram, por maldade e inveja, a sair.

Quero o senhor Mexia no Terreiro do Paço, no lugar D. José que, aliás,
era um pateta. Quero outro mártir qualquer, tanto faz, no lugar do
Marquês de Pombal, esse tirano. Acabem com a pouca vergonha dos
Sindicatos. Acabem com as manifestações, as greves, os protestos, por
favor deixem de pecar.

Como pedia o doutor João das Regras, olhai, olhai bem, mas vêde. E
tereis mais fominha e, em consequência, mais Paraíso. Agradeçam este
solzinho.

Agradeçam a Linha Branca.

Agradeçam a sopa e a peçazita de fruta do jantar.

Abaixo o Bem-Estar.
Vocês falam em crise mas as actrizes das telenovelas continuam a
aumentar o peito: onde é que está a crise, então? Não gostam de olhar
aquelas generosas abundâncias que uns violadores de sepulturas, com a
alcunha de cirurgiões plásticos, vos oferecem ao olhinho guloso? Não
comem carne mas podem comer lábios da grossura de bifes do lombo

e transformar as caras das mulheres em tenebrosas máscaras de Carnaval.
Para isso já há dinheiro, não é? E vocês a queixarem-se sem vergonha,
e vocês cartazes, cortejos, berros. Proíbam-se os lamentos injustos.

Não se vendem livros? Mentira. O senhor Rodrigo dos Santos vende e,
enquanto vender o nível da nossa cultura ultrapassa, sem dificuldade,
a Academia Francesa.
Que queremos? Temos peitos, lábios, literatura e os ministros e os
ex-ministros a tomarem conta disto.
Sinceramente, sejamos justos, a que mais se pode aspirar?

O resto são coisas insignificantes: desemprego, preços a dispararem,
não haver com que pagar ao médico e à farmácia, ninharias. Como é que
ainda sobram criaturas com a desfaçatez de protestarem? Da mesma forma
que os processos importantes em tribunal a indignação há-de,
fatalmente, de prescrever. E, magrinhos, magrinhos mas com peitos de
litro e beijando-nos uns aos outros com os bifes das bocas seremos,
como é nossa obrigação, felizes.


(crónica satírica de António Lobo Antunes, in Visão Abril 2012)

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Uma viagem que já leva 45 Anos!...

10 de Setembro de 1967, por esses dias, os meses escreviam-se com letra grande!
Estava um dia de lindo.
Sintra vestiu-se de gala brindando todos quantos a visitaram com um dia de sol agradabilíssimo.
Os DIAMANTES NEGROS, tocaram até tarde na sexta feira dia 8 mas não tocaram nem no dia nove sábado, nem no dia 10 domingo, estranho este facto, coisa que ainda hoje eu não consigo explicar, sim porquê?
Porque faz hoje anos que eu casei com aquela que tem sido a minha companheira ao longo dos últimos 45 anos, toquei em tanto casamento e, no meu, não houve música além de uns discos. Com tanto músico presente, incluso os Diamantes da época (estavam lá todos), nem era preciso eu tocar.
45 anos viagem já longa, mas sempre viva, se a isso juntarmos os quase dois anos de namoro, poderemos dizer que já são muito poucos aqueles se gabam de tal feito.
Tínhamos os dois vinte anos, eu sou mais velho 11 dias, quando o padre Abílio acabou de nos casar pedi a Deus que fizesse com que aquele passo que tínhamos dado tão jovens, fosse na direção certa. sobretudo para toda a vida e, que a chama nunca esmorecesse.
Parece que fui atendido nas minhas preces!
Dos convidados nossos familiares, tal como alguns amigos, grande parte deles já faleceram, o que nos deixa tristes, por vermos que já partiu tanta gente, ninguém é eterno é certo, isso é complementado felizmente com aqueles que nasceram e cá estão para nos tornarem mais felizes, filha, netas, sobrinhos, sobrinhos netos, em geral todos aqueles que por esses laços se têm vindo juntar a nós engrandecendo o nosso património familiar.
A foto também acusa a patine dos anos, nesses dias as cores eram o preto e o branco. 
 
Espero comemorar os cinquenta anos, vamos ver se a saúde, e alguns "troycos" no bolso nos deixam lá chegar com discernimento e vontade de celebrar.





Ela sempre foi fã do Elvis, eu à época era mais Beatles e Shadows, os dois sempre adorámos esta voz de sonho!

sábado, 25 de agosto de 2012

O EXEMPLO QUE VEM DOS MENINOS DE ÁFRICA, ou a felicidade com coisa nenhuma!

Como ex-militar com presença na Guerra Colonial, tendo servido a FAP em Angola, verifiquei localmente, muitas coisas agradáveis e desagradáveis.
O que me faz escrever estas linhas foi ter recebido uma foto deliciosa, a qual para mim não é novidade, pois o povo africano indigena, é do mais desenrrascado, criativo, e até quem sabe com igualdade de oportunidades, dos mais inteligentes.
Quando lá estive verificava, o que as crianças criavam para terem os seus próprios brinquedos. Com arame e bocados de madeira, faziam carros, camions, aviões, porque não tinham dinheiro para os comprar.
Para ilustrar essa criatividade aqui vos deixo a tal foto que acabei de receber, ilucidativa do que é não ter coisa nenhuma, mas saber brincar, e ser felíz, ou pelo menos tentar minorar a sua pobreza, com esse pouco, tentando contrariar a miséria, que a vida persiste em os atingir.
Nunca mais chega o dia destes povos, que sendo oriundos de países ricos, sempre foram explorados e oprimidos.
Uma foto que deveria correr o mundo, e ser um exemplo para os meninos/as, que de barriguinha cheia reclamam por tudo e por nada.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

AMY WINEHOUSE

Para os jovens da minha idade, Amy Winehouse não é muito mais que aquela jovem que cantava muito bem, mas se portava muito mal, que usava e abusava do alcool e da droga, etc...etc...
Não, é muito mais que isso. Vale a pena passar pelos videos do you tube e procurar a música dela.
Convém dizer que não se ficava por ser uma interprete que tinha uma maneira de interpretar, muito boa, diferente, mesmo quando interpretava canções que não sendo suas, lhes dava um toque de magia, e. tocava viola, não como uma aprendiza, mas num grau bastante elvado de cultura musical.