quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Mais uma Passagem de Ano.

Passagens de ano para mim atualmente não passam de mais um dia, não é igual aos outros porque não vivo sozinho felizmente, tenho que confraternizar com a família, mas torna-se um dia estranho.
Eu que passei quarenta e alguns anos a fazer passagens de ano a tocar até de manhã, sempre em lugares requintados posso dizer sempre, porque foi sempre em bons hotéis, e quando estive em Angola como membro da FAP tocava sempre no requintado Clube de Oficiais no AB3 NEGAGE.
Como tudo passou tão depressa.
Agora fico em casa a correr os canais, a fazer zapping, hoje depois de várias voltas, fui cair na RTP - Memória,  e por lá fiquei a admirar mais uma vez o espetáculo, que sempre me encheu as medidas, desde o primeiro dia que foi apresentado na RTP - SÓ NÓS TRÊS. - Carlos Mendes, Fernando Tordo, Paulo de Carvalho.
Como é possível, Portugal se dar ao luxo de ter estes três homens vivos, e desde os anos oitenta que estão mandados para o lixo, como cascas de fruta podre.
Este espetáculo é digno de representar Portugal, em qualquer parte do mundo. Uma maravilha, um profissionalismo de enaltecer, um elevado grau de dificuldade, muito mérito dos cantores e do falecido maestro Pedro Osório, diretor musical desta obra de arte, apoiados por músicos excelentes.
Esta gente sabe tanto de palco, de televisão, e de tudo o que isso envolve e representa, e estão na prateleira esquecidos, enquanto a pimbalhada sem mérito, nos entra a toda a hora pela casa dentro, sem nos pedir licença.
Na época lembro-me bem, eu trabalhava em Cascais, e fui a correr encomendar o CD/duplo, tive que esperar quase um mês, porque a casa não tinha encomendado, e no mercado estava quase esgotado.
São três personagens com personalidades fortes, difíceis de lidar entre eles, mas são três grandes monstros da música portuguesa! Indubitavelmente!!
A autoria do espetáculo é dos quatro, Tordo, Mendes, Paulo, e também do falecido Pedro Osório.
Este programa representa bem, o que foram as cantigas em Portugal num período que vai de 1950 a 1980, é histórico, e não se fica só por aquilo que eles cantaram, não só individualmente como nos Sheik's, vai do Alfredo Marceneiro, passa por Max, Zé Afonso, festivais da Eurovisão, Cliff Richard, Beatles, está lá tudo.
Uma maravilha!
Quero deixar-vos uma pequena amostra:

4 comentários:

  1. O meu amigo Luís Cardoso enviou-me esta mensagem, que não resisto a publicar.

    Caínhas eram 5 da manha enviei o teu comentário do Blogue para o meu Amigo Facebookiano Fernando Tordo, informando-o que se tratava da opinião do Baterista dos Diamantes Negros inclusive enviei-lhe o site do Blogue, eis a resposta dele;

    Obrigado pelas suas palavras, comentários, análises. Honra-me saber que sempre que é necessário apresentar algo de qualidade, em momentos considerados importantes, a RTP vai buscar aquilo que considera ser melhor. E entre o melhor está sempre uma geração de gente que faz parte da História cultural de um pequeno país que trata mal os seus artistas, os seus técnicos, os seus cientistas, os seus trabalhadores em geral: um país que não se ama nem se quer a si próprio. Pela minha parte continuo a trabalhar regularmente, sabendo que os meios de grande divulgação da minha actividade, como a Rádio, não têm - salvo honrosas excepções como a RDP - qualquer espécie de apreço por tudo o que escape do poder do lucro imediato, das editoras, dos jogos de interesses, da corrupção, do analfabetismo. Porque apenas posso falar por mim, não estive, não estou nem estarei no lixo, aceitando no entanto que vontade nunca faltou àqueles para os quais representamos o pior que há. Em 50 anos de vida não conseguiram, e portanto já não vai ser possível o homicídio pessoal e cultural a que se propuseram. Os documentos do meu trabalho já não são elimináveis, a tecnologia não deixa. Vão ter que viver a muita ou pouca vida que lhes resta em simultâneo com todas as surpresas que estão feitas, a serem feitas e por fazer; a sensatez andará sempre por aí, a transmitir coisa de que o Luís e eu gostamos, nas primeiras madrugadas de todos os 2014 das nossas vidas. Um abraço. Viva a Música. Ftordo

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  2. Concordo quando ressalva a RDP, como única estação divulgadora do que se faz bem em Portugal, estive a ouvir a entrevista dele no programa da manhã da RDP, com o seu novo trabalho comemorativo dos seus cinquenta anos de músico/cantor/poeta/escritor.
    Neste país ser artista e não alinhado, é só para gente de barba rija. Não é fácil.
    Sim quem deixa uma obra como a do Fernando Tordo, essa perdurará para todo o sempre, será tocada por gerações e gerações, terá as mais diversas versões, tocada por pequenas bandas e grandes orquestras, algo que só sucede com grandes compositores.
    Esta referência, serve também para os outros dois elementos, Carlos Mendes, e Paulo de Carvalho, também eles músicos, cantores e compositores.

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  3. Do melhor!! Mas agora temos é Ágatas e Tonys e outros que tais para promover e... animar a malta! Sim que a malta é por de mais inculta...

    Bom Ano, Amigo!

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